Masculinidade Católica em uma Era de Desordem

UM MUNDO PERDIDO

Sinto que o mundo em que cresci virou de cabeça para baixo. A verdade agora é relativa. A moral é subjetiva. A honestidade é grosseira. A tradição é opressiva.

Muitas vezes me oprime a terrível ideia de que nossa civilização está se suicidando lentamente. A velha ordem está desmoronando. Nossas verdades mais básicas estão sendo questionadas. As taxas de natalidade estão despencando em todo o mundo. No entanto, muita gente, especialmente os ateus ou agnósticos, parece não notar nem se importar. Alguns até ousam chamar isso de progresso.

Enquanto isso, as famílias se desfazem ao nosso redor. As crianças crescem sem nada sólido em que se apoiar. Dizem às mulheres jovens que se concentrem na carreira durante seus melhores anos para ter filhos, adiando a profunda plenitude que o casamento e a maternidade trazem. Aos homens jovens se permite prolongar a adolescência até os trinta, desperdiçando mais tempo do que nunca andando sem rumo e se distraindo. Em meio a essa desordem, os homens católicos são chamados a ser aqueles que mantêm a linha, com clareza, coragem e fidelidade às verdades que a Igreja nunca deixou de proclamar.

SACRIFICANDO A VERDADE NO ALTAR DA CORTESIA

Hoje, ao entrar em muitos ambientes, sente-se a pressão cultural. A linguagem do mundo em geral é cuidadosa, não julga e é alérgica a padrões claros. Qualquer conversa sobre guerra espiritual ou pecado mortal é tratada como algo extremo ou pouco amável. O tom preferido se limita ao amor ao próximo, à aceitação do que não podemos controlar e à cuidadosa evitação de ofender.

Os instintos que a maioria dos homens tem para estabelecer um padrão claro, falar com clareza sobre o certo e o errado e assumir riscos que valem a pena não desapareceram. Foram reprimidos pela constante pressão cultural para ficarem calados. Esses instintos não contradizem os ensinamentos do Evangelho. São centrais a ele. Fazem parte de como o Evangelho sempre foi vivido quando os homens o levam a sério. Nossa fé deve ser pregada em voz alta e sem vergonha.

Como Jesus Cristo nos ensinou: “Vós sóis a luz do mundo. Uma cidade construída sobre a montanha não fica escondida. Não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma caixa, mas sim no candelabro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. Assim também brilhe a vossa luz diante das pessoas, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus.” (Mateus 5:14-16)

Em busca desesperada de soluções

Os homens são movidos por uma missão. Têm um desejo natural de construir, proteger e lutar por uma causa digna. Precisamos voltar à verdade completa que Jesus ensinou, à missão divina que Ele colocou diante de nós. Estamos em uma batalha pelas almas. Essa batalha não pode ser vencida sem soldados cristãos fortes.

A repressão do instinto masculino não aconteceu por acidente. Foi planejada por grupos que querem refazer a sociedade e precisam que os bons homens recuem e se submetam. Como resultado, muitos homens jovens agora direcionam seus instintos naturais para objetivos errados. A “manosfera” online está cheia de ressentimento disfarçado de força. Os homens jovens reclamam do estado do mundo moderno. Reclamam das mulheres, tratando-as como prêmios ou problemas, sem vê-las como companheiras. Empurram uns aos outros a se esforçar pela perfeição material ou física, tudo na tentativa de alcançar um status mais alto em uma sociedade que eles mesmos reconhecem como desordenada.

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Essas não são missões. São máscaras. Coberturas baratas para a luxúria, a vaidade e a ganância. Um corpo forte ou um carro chamativo nunca compensarão a falta de caráter. São tentativas patéticas de mostrar força por fora quando há muita fraqueza por dentro.

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Quando essas falsas versões de força não satisfazem, alguns procuram em outro lugar uma expressão mais austera da tradição e se sentem atraídos pelas igrejas ortodoxas. Essa atração é compreensível, e tenho todo o respeito por nossos irmãos orientais em Cristo. O canto, o jejum disciplinado e até as barbas podem fazer a fé ortodoxa parecer mais viril para quem não conhece bem nosso patrimônio católico. No entanto, essas diferenças são mais superficiais do que fundamentais. O patrimônio completo da força cristã masculina, tanto romana quanto oriental, continua disponível dentro da única Igreja.

Atualmente há vinte e três ritos orientais em plena comunhão com a Igreja Católica, todos ainda praticando suas liturgias e tradições antigas. O que se precisa não é abandonar a autoridade romana, mas recuperar a mesma fortaleza que sempre caracterizou os homens católicos fiéis.

UMA HISTÓRIA DA CULTURA CENTRADA EM CRISTO

A Igreja Católica tem uma longa e orgulhosa história de homens que construíram uma cultura forte centrada nos ensinamentos de Jesus Cristo. A nossa é a casa do canto gregoriano, das catedrais góticas, das ordens militares e da disposição de defender os fiéis e os lugares santos com a própria vida quando estavam sob ataque. No século XI, as igrejas orientais pediram ajuda ao Ocidente quando suas fronteiras encolhiam e os peregrinos eram atacados sem piedade a caminho da Terra Santa. Isso levou à gloriosa Primeira Cruzada e à recuperação de Jerusalém. Esse espírito de força ordenada nunca foi estranho à Igreja Católica. Faz parte de nossa herança. Os homens católicos de hoje são chamados a recorrer a ele novamente, com a mesma clareza e coragem aplicadas às batalhas de nossa própria época.

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a masculinidade bíblica

Os Evangelhos estão cheios de exemplos de fortaleza masculina. Jesus fez um chicote de cordas, invadiu o templo e expulsou os cambistas que tinham transformado a casa de seu Pai em uma toca de ladrões. Disse verdades duras que lhe custaram a vida e nunca suavizou suas palavras para manter a paz. Em suas próprias palavras: “Não pensem que eu vim trazer paz à terra. Não vim trazer paz, mas espada.” (Mateus 10:34) Nunca se afastou da verdade só porque isso deixasse algumas pessoas desconfortáveis.

Seu pai terreno, São José, talvez tenha sido um homem de poucas palavras, mas viveu sua fé assumindo a responsabilidade por Jesus e por Nossa Santíssima Mãe. Trabalhou com as mãos para prover, deu a eles um lar estável e amoroso, e sempre honrou Maria enquanto servia a ambos como pai e protetor fiel. Esse é o tipo de masculinidade que todos deveríamos nos esforçar para encarnar.

São Pedro experimentou muitos momentos de fraqueza. Tinha um gênio difícil, perdeu a confiança e afundou no mar, negou Jesus depois de sua prisão, e ainda assim se levantou depois de todos esses fracassos para liderar a Igreja como nosso primeiro papa. Esses homens não se acovardaram de mostrar sua força. Ordenaram e exerceram sua masculinidade sob obediência ao Pai. A fortaleza, não a moleza, tem sido a qualidade ideal dos homens cristãos ao longo dos séculos.

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Muitos homens católicos já vivem assim hoje. Levantam-se cedo e trabalham com honestidade para sustentar suas famílias. Rezam com os filhos à noite. Frequentam a Missa e participam plenamente da vida da paróquia. São pilares de suas comunidades. No entanto, a sensibilidade moderna treinou muitos deles a ficarem calados quando a fé é ridicularizada ou quando o pecado grave é tratado como algo normal. O silêncio diante de mentiras abertas não é humildade. É a cultura mole de hoje ainda falando através de homens bons. A força silenciosa que já está presente nesses homens é a base. O que com muita frequência falta é a disposição de dizer a verdade.

A verdadeira masculinidade é viver o exemplo de Cristo sem se curvar à época moderna. Significa dizer a verdade mesmo quando o mundo a chama de ódio. Significa defender a Igreja quando ateus e outros críticos espalham suas histórias falsas e seus deboches cínicos. Significa rejeitar o filtro mole que nos diz para aceitar a desordem em nome da paz. As mentiras descaradas estão à vista agora. Os ataques à fé estão à vista. A resposta também deve ser aberta.

Uma Nova cruzada

Esta é a nossa nova cruzada. Não com espadas, mas com palavras claras, fidelidade diária e a recusa de recuar. Os homens católicos que praticam a fé abertamente e sem desculpas, corrigem o erro sem crueldade e protegem o que é sagrado farão mais para salvar almas do que qualquer exibição superficial de força. O mundo moderno continuará empurrando suas mentiras. Não precisamos dar a outra face a essas mentiras. Precisamos nos armar com a verdade, e é isso que pretendo fazer. Chegou a hora de os homens católicos se levantarem e lutarem.

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